Analiso as configurações do blog, olho o horário, penso em buscar um copo d´água na cozinha, mas a preguiça é mais forte que eu. Uma e trinta e um da manhã. Uma e trinta e dois. Preciso publicar alguma coisa aqui porque preciso testar as mínimas coisas do blog, como a cor e a fonte do texto. Preciso me encontrar em algum lugar que não é mais em mim, mas também não é no outro. Penso em cancelar a publicação e assistir o anime que eu comecei a assistir essa semana, deitado na cama, protegido do frio artificial que resolvi criar no meu quarto. Uma e trinta e quatro. Olho para cima, para os lados e, por mais que não falte nada, sinto que falta alguma coisa. Sempre falta alguma coisa. Se não faltasse seríamos completos e, se completos fôssemos, não seríamos humanos. Acho que estou humano, sinto-me humano, não sei o que é um humano. Puxo a cortina para o lado, tento ver as estrelas para pensar no quão transitória é a nossa estada na vida, mas a luz da cidade me ofusca. Lembro do engarrafamento que vou enfrentar amanhã, dos compromissos que não posso faltar, nos artigos que preciso escrever, na boca que quero beijar e, ainda assim, tudo não passa de um flash. O que fica é o barulho das buzinas caóticas e o silêncios dos homens concretos. A marca mais profunda é invisível aos olhos. A marca das pegadas, do cheiro, do abraço. Fecho os olhos e vejo com clareza uma folha seca caindo no asfalto quente. O vento amigo a carrega para longe daquele ambiente hostil, mas ela deixa um pouco de sua essência na pista e leva um pouco desta com ela. Talvez ela quisesse voar infinitamente, mas o gari e a boca de lobo vão dar jeito nela. Pobre folha seca, correndo risco de pegar leptospirose. Uma e quarenta e três. Nessa brincadeira passaram 13 (treze) minutos de minha vida (uma e quarenta e quatro agora). Talvez eu devesse entrar em outro parágrafo, mas não quero fazê-lo. Tenho esse poder. Posso escolher não fazê-lo, e não o faço.
Ops. Veio-me a lembrança de que eu deveria escrever contos aqui. Era o objetivo. Vem pra cá, vem. Leitura esdrúxula saudável. Vida tranquila sanável. Uma e quarenta e seis. Uma e quarenta e sete. Uma e quarenta e nove (mentira, uma e quarenta e oito, mas achei que seria legal pular um minuto). Ok, uma e cinquenta e três. Fiz xixi e escovei os dentes. Quase um Instagram. Ah, jantei mais cedo uma pizza fuleira de R$2,50 que comprei no estágio. Estou gordo. Tic tac. Acho que meu post-teste vai ser minhas boas-vindas para mim mesmo e para quem porventura esteja lendo este texto agora. Afinal, não é assim a vida? Uma peça sem ensaio. Ou é ou não é. Desce ou não desce. Uma e cinquenta e seis. Eu sei o que quero "fazer" da vida: quero contar histórias. Gosto das de verdade, mas prefiro as mentirosas, que são mais verdadeiras que as verídicas. Uma e cinquenta e sete. Juro que tive uma dificuldade mental de calcular quantos minutos se passaram de uma e trinta e um para cá. Uma e cinquenta e oito (viu?). Vinte e sete minutos mais perto da morte. Here comes the sun, tchu tchurutchu. It's all right. Tamtamtam tamtamtam tamtamtamtam tam tam tam.. tam! Errei os "tam". Droga!
A partir do próximo post, só contos, juro. Com pornografia e tudo. Com gordo chibungo e tudo. Ha! Prazer, chamo-me João. Boa noite! Duas horas e um minuto. Tenho fome. Fome de vida! Abram as janelas e sintam-se fora de casa. Duas horas e três minutos. O sono me chama. Sonho é destino. Tic... Tac.
A partir do próximo post, só contos, juro. Com pornografia e tudo. Com gordo chibungo e tudo. Ha! Prazer, chamo-me João. Boa noite! Duas horas e um minuto. Tenho fome. Fome de vida! Abram as janelas e sintam-se fora de casa. Duas horas e três minutos. O sono me chama. Sonho é destino. Tic... Tac.