domingo, 22 de março de 2015

Amor no escuro

É noite. Fecho os olhos e respiro fudo e, por um instante, posso sentir o seu cheiro. Seua dedos macios estão repletos de carinhos e de agradáveis sensações; na escuridão, é como se caminhassem lentamente por minhas costelas, meu peito e meu pescoço. É quase um beijo perto da orelha ou um sussurro seguido de um sorriso. No escuro é quase como se ela, que eu ainda nem conheço, estivesse aqui.

Talvez quem sabe eu até a conheça sem conhecê-la. Ainda assim, vejo seu sorriso largo e despreocupado disputando espaço na paisagem com as oequenas ondas do mar. As ondas mais fortes, que chegam apenas aos meus ouvidos, se chocam com as rochas em uma praia que não me pertence mais, realçando o preenchimento de um corpo que não é o nosso. É que deitado no escuro o Sol brilha tão forte... E aí nem sei mais onde ficou minha esperança: se no grito de guerra dos destemidos ou nos óculos daquela menina.

É como se o destino acenasse para mim de longe e me chamasse para viver porque viver é amar. Talvez seja só o jeito despretensioso daquela menina de ajeitar os óculos para cima. Talvez sejam as estrelas me apontando a direção ou - triste hipótese - talvez seja só o meu coração cansado de ser feliz sozinho, como se procurasse pistasde uma paixão que dificilmente está aqui. Talvez este coração acelerado seja só um banho gelado. Talvez sejam mesmo só efeitos da escuridão. Porém, um outro pequeno talvez aquece o meu corpo moribundo: e se  os meus planos tiverem fracassado porque simplesmente não se planeja o amor?

Não somos nós, afinal, um encontro de acasos e paixões desenfreadas? Mas talvez... Talvez seja só a escuridão. Ou o amor. Desmedido. Imaturo. Inesperado. E que charme tem aquela garota (que ainda desconheço)! Um amor no escuro: inconsciente, decisivo e inacabado!

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